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O Filho Amado
"Um estudo da vida e do Ministério de Jesus" - Pr. Thomas Black Wilson
Categoria: Livros
Evento: Brochura
Data: Editora Além da Letra
Disponibilidade: 30 dias

Por R$ 28.90



  Descrição   

Thomas Black Wilson
Autor
 
É membro da Igreja Cristã Maranata desde 1987, servindo ao Senhor como Pastor na Inglaterra, Irlanda e em Portimão – Portugal;

 

- Estudou em Moorlands Bible College, em Dorset, Inglaterra, onde obteve especialização em História das Missões, Grego, Exegese, Síntese da Bíblia, Homilética e Escatologia;

 

- Formou-se na Kings Park Secondary School em Glasgow, Escócia, onde obteve “Scottish Highers” em Inglês, Matemática, Física, Química, Desenho de Engenharia e Mecânica e “Scottish Lowers” em Francês, História e Geografia;

 

- Baixarelou-se em Matemática, Física e Química pela Universidade de Paisley, Escócia;

 

- Especializou-se em Matemática (Pura e Aplicada) e Física pela Universidade de Londres, no Imperial College, onde obteve o título de “Honours Degree”;

 

- Iniciou a sua carreira como professor de Matemática na Easterhouse Secondary School em Glasgow, onde foi também Inspetor e Conselheiro nos Serviços Sociais;

 

- Foi para Portugal em 1969 como Missionário, onde Trabalhou em Coimbra, como assistente da Intervarsity Fellowship, sob a chefia do Secretário-Geral Dr. Stacey Woods;

 

- Foi professor de Matemática e Química na American School em Carnaxide, Portugal;

 

- Em 1975 foi professor de Matemática na Billericay School, Essex, Inglaterra durante 5 anos;

 

- Foi chefe do Departamento de Matemática e Ciêcias na Escola Internacional do Algarve em Porches, Portugal, durante oito anos;

 

- Aposentou-se em 1998, tendo regressado a Portugal no ano seguinte. Tem duas filhas e um filho: Lillian, casada com Patrick Freire de Miranda de nacionalidade brasileira. Têm um filho, Samuel. Esperam brevemente o seu segundo filho. Heidi, casada com Nigel Charles Gale, de nacionalidade Inglesa. Têm uma filha, Eloise, e um filho, James. John-Mark, que é casado com Chantal Priscilla Scheuerkugel Wilson, de nacionalidade holandesa.
 
- Vive atualmente com a esposa em Portimão, Portugal.
 
 

Prefácio

 

Thomas Black Wilson nasceu em 1944 na cidade de Glasgow, Escócia. Foi criado no seio de uma família evangélica. Tanto o avô paterno como o pai e tios foram pastores leigos na Escócia. Com apenas quatro anos de idade, Tom Wilson entregou a vida ao Senhor, a quem tem servido fielmente até hoje.

 

Licenciou-se em Matemática (Pura e Aplicada) e em Física pela Universidade de Londres (Imperial College). Com o objetivo de melhor se preparar para trabalhar na Obra de Deus, estudou no Moorlands Bible College, em Dorset, Inglaterra.

 

Em 1969 veio para Portugal para servir ao Senhor como professor da Bíblia e pastor leigo. Foi membro da Intervarsity Fellowship (Grupo Bíblico Universitário), realizando trabalho pioneiro entre estudantes universitários em Coimbra.

 

Exerceu durante muitos anos a sua profissão de professor de Matemática em várias escolas na Escócia, em Portugal e na Inglaterra. Vive atualmente em Portugal com a esposa, Edite, com quem casou em 1970. Tem três filhos, Lillian, Heidi e John-Mark e três netos, Eloise, James e Samuel.

 

Há cerca de vinte anos que serve o Senhor como pastor na Igreja Cristã Maranata. Dado o seu profundo conhecimento das Escrituras, é frequentemente usado no ensino bíblico em encontros nacionais e internacionais. Para os pastores, seus companheiros, ele é sem dúvida uma referência de integridade e consagração ao Senhor.

 

Conhecendo o pastor Tom Wilson há mais de trinta anos, aprendi com ele, enquanto jovem universitário, a estudar e amar a Palavra de Deus e dela fazer o fundamento intransigente da fé. O seu discernimento espiritual, servido por uma mente disciplinada e bem exercitada e assente numa sólida formação bíblica, é de especial valor nestes dias em que a Igreja precisa de estar especialmente alerta aos ventos de doutrina.

 

Por estas razões, é para mim especialmente grato ver impresso o seu primeiro livro, e logo uma obra de fôlego dedicada a apresentar-nos o Amado Filho de Deus.  Não há tema mais relevante para a afirmação da fé cristã, nem matéria mais gratificante para um autor cristão. Mas falar de Jesus é um desafio enorme, do qual nem todos estão à altura. Como o leitor verá, Tom Wilson fá-lo com desenvoltura.

 

A sua abordagem é, por um lado, simples e direta, mas, por outro, profunda e enriquecedora, na linha da melhor literatura evangélica. Graças à investigação feita pelo autor, ficamos a entender melhor áreas da vida e do ministério de Cristo à luz de aspectos históricos e culturais da época. Mas também entramos na profundidade espiritual da Palavra de Deus e somos contagiados pelo deslumbramento que atinge o autor ao penetrar nos mistérios gloriosos da revelação do Filho.

 

Quem ler este livro ficará certamente com uma visão mais clara da Pessoa de Jesus Cristo, nas suas dimensões humana e divina, histórica e profética. É uma obra que concilia o apologético com o devocional, o evangelístico com a adoração. Estou certo de que será uma grande bênção para quem a ler, seja para os que já crêem em Jesus, seja, muito particularmente, para aqueles que estão em busca, mas se acham ainda enredados em questionamentos de diversa índole.

 

Sabendo que Tom Wilson dedica longas horas do seu tempo ao estudo da Bíblia e tem muito a transmitir-nos da parte de Deus, ficamos à espera de novos contributos que, como este, nos estimulem a amar cada vez mais e seguir com fidelidade o Filho Amado.

 
Sumário 
 

Cap. 1 - O RELATO DOS EVANGELHOS....................................................6

Cap. 2 - O PROPÓSITO DOS ESCRITORES DO NOVO TESTAMENTO..........17

Cap. 3 - QUATRO FACETAS DE JESUS.....................................................28

Cap. 4 - AS PRIMEIRAS FASES DA SUA VIDA...........................................35

Cap. 5 - O BATISMO E A TENTAÇÃO.......................................................45

Cap. 6 - O MINISTÉRIO EM TRÊS FASES..................................................50

Cap. 7 - O MINISTÉRIO DE ORAÇÃO E SERVIÇO......................................60

Cap. 8 - O MINISTÉRIO DE ENSINO........................................................68

Cap. 9 - O MINISTÉRIO DE MARAVILHAS...............................................187

Cap. 10 - O MINISTÉRIO COM OS DISCÍPULOS.......................................193

Cap. 11 - A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS..............................................101

Cap. 12 - A ENTRADA TRIUNFAL DE JESUS EM JERUSALÉM....................105

Cap. 13 - ACONTECIMENTOS QUE ANTECEDERAM A MORTE DE JESUS...115

Cap. 14 - CRUCIFICAÇÃO E MORTE.......................................................127

Cap. 15 - SEPULTAMENTO E RESSURREIÇÃO.........................................139

Cap. 16 - A ASCENSÃO.........................................................................149

Cap. 17 - JESUS VAI VOLTAR................................................................157

Cap. 18 - SINAIS DOS ÚLTIMOS TEMPOS...............................................170

Cap. 19 - A ATIVIDADE DE JESUS NO TEMPO PRESENTE........................180

Cap. 20 - JESUS, O FOCO DA ADORAÇÃO NO CÉU.................................187

EPÍLOGO.............................................................................................194

BIBLIOGRAFIA.....................................................................................196

WEBGRAFIA.........................................................................................197

 
 
Leia o
CAPÍTULO 1

 

Toda a Bíblia fala de Jesus. No entanto é no Novo Testamento que o vemos com mais clareza, especialmente no relato dos quatro Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Portanto os quatro Evangelhos são o melhor lugar para começarmos a nossa busca no sentido de O conhecer.

Como é que estes Evangelhos vieram a ser escritos?

Quarenta dias depois da morte de Jesus, os discípulos foram com ousadia para as ruas de Jerusalém, a cidade em que Jesus tinha sido crucificado, e começaram a anunciar que Ele estava vivo, tendo ressuscitado dentre os mortos. Tinha acontecido uma transformação espantosa neles durante este curto período de tempo, porque, quando Jesus foi preso e levado a julgamento, os discípulos O tinham negado e O tinham abandonado. Logo depois da Sua morte fecharam-se no Cenáculo, com medo de sofrerem também nas mãos das autoridades religiosas, devido a terem estado associados a Ele.

No entanto foram transformados pela ressurreição de Jesus e pelo derramamento do Espírito Santo sobre eles no dia de Pentecostes. Proclamavam agora ousadamente que Jesus de Nazaré era o Messias que Israel esperava, mas que as autoridades religiosas o tinham matado.

Depois explicaram ao povo que, apesar de tudo, o que as autoridades fizeram cumpriu aquilo que Deus tinha determinado para o seu povo. Anunciaram que Deus tinha ressuscitado a Jesus e que O tinha exaltado como Senhor, estando agora sentado à direita do Pai, na glória. Afirmavam claramente que Jesus estava vivo e que eles eram testemunhas desse fato. Proclamavam que ele tinha morrido pelos pecados dos homens, para que eles pudessem ser perdoados e para que pudessem conhecê-Lo como alguém presente nas suas vidas, através do poder interior do Espírito Santo (Atos 2).

Muitos creram como resultado dessa pregação e a igreja começou a crescer rapidamente. Espalhou-se, em pouco tempo, de Jerusalém para a Judéia, Samaria, Ásia e até para a Europa. Os apóstolos foram usados, com poder, no estabelecimento da igreja, instruindo os novos convertidos nas doutrinas que precisavam de conhecer. À medida que a igreja crescia, os apóstolos acharam necessário corrigir erros que apareceram em algumas igrejas e instruir os crentes contra falsas doutrinas que minavam toda a base da fé. Para tal fizeram visitas e enviaram cartas ou epístolas às igrejas que estavam espalhadas pelo Império Romano. Estas cartas foram muito valorizadas e formam hoje em dia a maior parte do Novo Testamento.

Os apóstolos, que tinham vivido como discípulos de Jesus durante o seu ministério, informaram a igreja sobre as coisas que Ele tinha feito e dito enquanto estava com eles. Eram testemunhas presenciais de tudo. Um lembrava-se de certos pormenores. Outro lembrava-se de pormenores adicionais. Assim, a vida e o ministério de Jesus foram passados oralmente para a igreja primitiva.

No entanto as testemunhas não podiam viver para sempre. O que aconteceria quando eles partissem? Quem lembraria a igreja destas coisas? Além disso, com o passar do tempo, as pessoas começaram a inventar coisas acerca da vida de Jesus. A princípio isso não constituía problema, pois os apóstolos corrigiam logo os erros sem dificuldade. Mas chegou a altura em que compreenderam que era necessário ter um registo mais permanente de todas as coisas. É por esta razão que temos o registo dos Evangelhos. Encontramos neles os relatos das testemunhas oculares, dos apóstolos, acerca do que tinha acontecido na vida de Jesus poucos anos antes.

Temos quatro relatos, quatro Evangelhos, pois não se achou necessário haver um só relato oficial. Cada um dos escritores dos Evangelhos escreveu acerca da vida e do ministério do Senhor Jesus, segundo a sua própria perspectiva. Isto deu origem a quatro biografias. Temos quatro relatos da vida e do ministério de Jesus, que são diferentes mas que se complementam.

Hoje em dia referimo-nos aos quatro relatos do Evangelho como os Evangelhos. A forma plural “Evangelhos” não teria sido compreendida na era apostólica nem no século que se seguiu. Foi só em meados do século II d.C. que se começou a usar a palavra no plural.

Os apóstolos afirmavam claramente que havia um só Evangelho. O apóstolo Paulo escreveu às igrejas da Galácia: “Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo, do céu, vos anuncie outro evangelho, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema [condenado eternamente]” (Gál. 1:8). Os quatro relatos escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João são relatos do mesmo Evangelho de Deus acerca de Jesus. Os títulos que se usam tradicionalmente “Evangelho segundo Mateus, “Evangelho segundo Marcos”, etc. dão a entender que temos neles o Evangelho de acordo com cada um destes quatro homens, mas não é assim.

Poucas pessoas sabem que os relatos dos Evangelhos estão escritos num estilo único, que não se conhecia no séc. I d.C. e que não tem equivalente literário hoje em dia. Não são apenas biografias de Jesus. Mais do que um terço dos relatos dos Evangelhos é dedicado à descrição da morte e da ressurreição de Jesus. Biografia nenhuma gastaria um terço das suas páginas para tratar do assunto da morte. Podemos comparar melhor os Evangelhos a boletins de informação. A palavra grega que significa Evangelho é “Evangelion”. Esta palavra era usada, no tempo do Novo Testamento, para descrever ou anunciar uma notícia muito importante, transmitida por um emissário, que era enviado às cidades e aldeias duma certa região. Exemplos seriam a derrota do inimigo ou a visita do Imperador. O Evangelho é uma notícia boa daquilo que Deus fez por nós na pessoa de Jesus.

Uma vez que as notícias costumavam ler-se em voz alta para aqueles que estavam a ouvir, os Evangelhos foram escritos com o propósito de serem lidos em voz alta. De fato era assim que as pessoas liam sempre na era apostólica; liam em voz alta, mesmo lendo para si próprias. Foi por isso que Filipe sabia aquilo que o ministro etíope ia ler no carro, na viagem para sua casa, depois de ter ido a adorar no Templo em Jerusalém.

 

Evidência dos historiadores sobre Cristo: evidência judaica, pagã e cristã

Há quem afirme que a mensagem da igreja é uma grande mentira. Dizem que nunca houve ninguém chamado Jesus. Alguns até afirmam: “Se Jesus de Nazaré foi uma figura histórica de fato, porque não se encontra mencionado nos escritos dos historiadores da época?” Ficamos admirados com comentários deste tipo que muitos fazem acerca de Jesus, pessoas muitas vezes cultas e geralmente bem informadas. Demonstram como conhecem tão pouco acerca desta pessoa extraordinária.

Na verdade, os historiadores seculares daquela época falam Dele. Jesus é efectivamente uma das figuras mais bem relatadas e documentadas da história antiga. Há mais evidência histórica acerca de Jesus do que acerca de Júlio César, e ninguém sugere que Júlio César tivesse sido um mito.

A evidência histórica, apoiando a existência de Jesus, procede de várias fontes: escritores Judeus, escritores pagãos e escritores cristãos. Para podermos compreender estas fontes, precisamos de conhecer alguma coisa sobre como era a vida no séc. I.

Segundo os nossos padrões de vida, o mundo naquela época era primitivo, tendo muito pouco da tecnologia que conhecemos hoje em dia. A vida era vivida a um ritmo muito mais lento. As pessoas viajavam a pé ou a cavalo. Os barcos não eram a motor. Muitos eram à vela. A refeição da noite era tomada à luz de candeias a óleo, pois não havia luz elétrica. Não havia rádio nem televisão. Não havia jornais como os de hoje. E as notícias passavam de boca em boca.

O mundo era dominado pelo Império Romano. Isto trouxe bastantes benefícios, como maior segurança nas viagens, mas trouxe também desvantagens. Muitas nações perderam a sua independência. A nação de Israel, juntamente com outras nações pequenas, que eram hostis à interferência dos Romanos, acabou por ser ocupada pelas forças Romanas. Para pacificar os Judeus, os Romanos permitiram que tivessem o seu próprio rei, Herodes, o Grande. Depois da morte deste, o reino foi dividido pelos seus quatro filhos. No entanto, devido a um mau governo, os Romanos em breve tomaram o controle direto da maior parte do país, colocando Pôncio Pilatos como governador Romano na Judéia. Um dos filhos de Herodes, chamado Herodes Antipas, continuou a governar a Galileia, com a autorização dos Romanos.

A presença dos Romanos em Israel despertou em muitos um grande desejo da vinda do Messias prometido e o estabelecimento do Seu reino. Esperavam que Ele os livrasse dos Romanos. A expectativa messiânica era grande. Por essa altura apareceram muitos pseudo-Messias que dirigiram revoltas, para depois serem esmagados implacavelmente pelos Romanos. Um deles foi um profeta conhecido como “O Egípcio”, que atraiu muitos a si no deserto, onde proclamava que as muralhas de Jerusalém iam cair ao seu mandado. Foi chacinado pelos Romanos, juntamente com os seus 4000 seguidores.

As autoridades Judaicas daquele tempo colaboraram com os Romanos, tentando manter a paz em Israel, mas havia sempre distúrbios. No fundo havia um ressentimento em ebulição contra a presença Romana, que ameaçava constantemente irromper na forma duma revolta armada. Finalmente, no ano 66 d.C. irrompeu uma revolução que deu origem a uma guerra contínua durante 4 anos e que fez com que os Romanos destruíssem Jerusalém e o Templo, única forma de acabar com essa revolta.

 

Evidência judaica

A evidência mais importante vem do historiador Judaico Flávio Josefo. Viveu de 37 a 98 d.C.  Josefo foi o chefe duma revolta contra o poder Romano em 66 d.C. A revolta foi esmagada e ele foi levado prisioneiro pelos Romanos. Mas viu a sua vida poupada ao fazer amizade com Vespasiano, o general Romano que o venceu e que mais tarde foi imperador.

A segunda parte da vida de Josefo foi dedicada a escrever a história dos Judeus. Um dos seus livros, “Antiguidades Judaicas”, cobre o período em que decorreu o ministério de Jesus. Embora não gostasse dos Cristãos e não fosse um admirador de Jesus, registrou, fielmente, os fatos que conhecia. Este texto das “Antiguidades Judaicas” chegou até nós em várias formas. A mais fidedigna é uma tradução em Árabe. Diz o seguinte:

“Por esta altura surgiu Jesus, um homem sábio, que praticou bons atos… Pilatos condenou-o à crucificação e à morte. Os que tinham sido seus discípulos pregaram a sua doutrina. Contavam que lhes tinha aparecido três dias depois de ter sido crucificado e que estava vivo.”

A Jewish Encyclopedia (Enciclopédia Judaica) afirma que as lendas acerca de Jesus se podem ler no Talmud e no Midrash, bem como no Toledot Jeshu (o Livro da vida de Jesus). O Talmud e o Midrash foram escritos alguns séculos depois do ministério de Jesus, ao passo que o Toledot Jeshu provém da Idade Média.

A tendência destas fontes é depreciar a pessoa de Jesus, atribuindo-lhe um nascimento ilegítimo, magia e uma morte vergonhosa. O Toledot Jeshu foi escrito para que as pessoas Judias pudessem passar a informação contida nele de geração em geração. A palavra Hebraica “Jeshu” é uma abreviatura de “Jeshua” (que significa “ele salva”). A forma “Jeshu” significa “que o seu nome seja apagado.” A ideia do Toledot é que Jesus foi um enganador e um herético, que foi crucificado pelos Judeus, que os discípulos roubaram o corpo Dele e enganaram os outros ao proclamar a ressurreição.

Se, por um lado, a pessoa e o ministério de Jesus estão obviamente distorcidos nestas fontes, por outro lado é interessante o fato de que nunca procuram negar a existência de Jesus de Nazaré. Ao falar mal dele, estabelecem claramente a Sua existência e rejeição por parte do povo Judeu.

Não é fácil achar um exemplar do Toledot Jeshu. Quando se descobriram estes ensinamentos Judaicos acerca de Jesus, no princípio do séc.XVII, houve uma operação de encobrimento. Em 1631, um Sínodo Judaico na Polonia determinou que as passagens ofensivas fossem expurgadas, e que esses ensinamentos fossem transmitidos oralmente aos jovens pelos Rabis e pelos pais. O texto desta encíclica está em hebraico e está também traduzido, dizendo o seguinte:

"É por isso que vos impomos, sob pena de excomunhão máxima, que não imprimais, em edições futuras, nem do Mischna nem do Gemara, nada que se relacione, nem com o bem, nem com o mal dos atos de Jesus, o Nazareno, e que o substituais por um círculo assim: O, que servirá para avisar os Rabis e os professores de que devem ensinar essas passagens às crianças e aos jovens somente em voz viva. Devido a esta precaução, os peritos entre os Nazarenos não terão mais pretexto de nos atacar quanto a este assunto.” (Cf. Abbe'Chiarini, Le Talmud de Babylone, 1831, p. 45 (1831)."

 

Evidência pagã

A mais importante é o historiador Romano Tácito, que é considerado o maior historiador da Roma antiga. Viveu de 55 a 120 d.C. Nasceu durante o reinado de Nero e veio a ser procônsul da Ásia, sob o imperador Trajano. O seu escrito mais importante é os “Anais”, que registam a história de Roma desde a morte de Augusto (14 d.C.) até ao tempo de Nero. Nos Anais registra-se o grande incêndio de Roma em 64 d.C. Segundo se dizia, a culpa do incêndio recaía sobre Nero. Para se desculpar, Nero acusou os Cristãos de terem começado o fogo. Eis o que Tácito escreveu:

“Para acabar com os rumores, Nero acusou e torturou algumas pessoas conhecidas como cristãos. O fundador desta seita, Cristo, tinha sido morto pelo governador da Judéia, Pôncio Pilatos, quando Tibério era imperador… Cobriram-nos com peles de animais selvagens, foram dilacerado

 

 
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