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Eclesiastes Além da Letra
Ézio Luiz Pereira
Categoria: Livros
Evento: Brochura
Data: Editora Além da Letra
Disponibilidade: Imediata

Por R$ 24.90



  Descrição   

 
* Livro com nova capa e diagramação, mas o mesmo conteúdo das tiragens anteriores.
 
  O Autor:
 
ÉZIO LUIZ PEREIRA
 
Membro da Igreja Cristã Maranata desde janeiro de 1975

Juiz de Direito em Cachoeiro de Itapemirim – ES

 

Mestre em Direito das Relações Privadas pela FDC – RJ

 

Mestre em Teologia (ênfase em Bibliologia) pelo SBTe – MG

 

Profº de Direito Civil da Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim – ES

 

Psicanalista em formação pela Escola Superior de Psicanálise e Orientação - ES

 

Membro da Academia Brasileira de Mestres e Educadores

 

Membro da Academia Cachoeirense de Letras

 

Pesquisador, Palestrante, Articulista e Escritor

 

Autor de quatorze obras literárias publicadas

 

 
 
 
APRESENTAÇÃO
 
"Retorno, com imenso prazer, ao cenário das letras, trazendo a minha décima segunda obra literária, nascida a partir de uma inquietação de meu coração, na ânsia de ofertar ao meu bom Deus aquilo que Ele havia me proporcionado: o desvendar dos mistérios de Sua gloriosa Palavra, cujo teor tem sido o meu alimento de todas as horas, verdadeiro alento nos momentos de angústia. Aqui, o que há de mais belo não nasce da pena do escritor, mas emana da Fonte Eterna: Jesus!
Apresento-vos, amigos leitores que me prestigiam com a atenta leitura, este livro, cujo escopo é - e tão só - anunciar a Palavra de Deus para a edificação, desvendando os grandes mistérios bíblicos, dos quais me tornei um humilde garimpador".
 
O Autor.
 
 
PREFÁCIO:
 
Há pouco mais de três décadas, quando o mundo cristão se digladiava, teologicamente, em meio às correntes conservadoras e modernistas, os conservadores algemaram a Bíblia às suas idéias e pesquisas e subestimaram-na em seu conteúdo, considerando-o uma apresentação puramente histórico-cultural, com tendências à Filosofia – como pensavam os eruditos e/ou pesquisadores, teólogos ou não. Os modernistas secularizavam a Bíblia de tal forma, que esta passou a ser considerada um livro arcaico, obsoleto, criando-se a idéia relativista do Evangelho – apresentada principalmente pelas religiões norte-americanas – enquanto os europeus mergulhavam na ortodoxia. 

Neste período – é bom nos lembrarmos da profecia escrita em I Samuel 3:1, “... antes que a lâmpada do templo se apagasse...” – surgiu um grupo que teve uma experiência diferente, quando lhe fora revelado, pela primeira vez após a Igreja Primitiva, uma visão nova da Palavra de Deus: “... a letra mata, mas o Espírito vivifica”. A Palavra além da letra foi a experiência que nos marcou e projetou esta grande Obra para além das fronteiras: a Palavra Revelada. Quando li o livro de Eclesiastes além da letra, percebi que a experiência desta Obra germinou em seus membros e fez aparecer em corações fecundos riquezas que pertencem ao grande tesouro, a Palavra de Deus, o grande projeto de Salvação para o Homem.

Observo neste trabalho itens muitos importantes, que desafiam os mais renomados exegetas: o logus, a palavra que expressa ação, mas que possui vida intrínseca, pela Revelação do Espírito Santo; e o tempo, limite que faz a história do homem, tão exígua, “o tempo que nos morre”, e o tempo que não morre, este sob total domínio de Deus na sua onisciência. O livro o qual apresentamos ressalta dois importantes aspectos: a profecia que venceu o tempo; e a Igreja e a doutrina, que nos levaram ao cerne do grande mistério: corpo e sangue, elementos que expressam a Igreja e seu funcionamento e o Espírito que nos dá vida e faz com que Jesus seja Cabeça. Por fim, este estudo nos aponta a grande profecia, pela qual vive a Igreja Fiel: Jesus voltará! 

Dr. Ezio Luiz Pereira, ainda na adolescência, experimentou o sabor da Palavra – ao gosto do vinho – como quando, profeticamente, Gideão malha o trigo no lagar. É bom saber que Eclesiastes, além da letra, retrata o início de uma redescoberta da Palavra, tal como fora a Reforma do século XVI.
 
Dr. Amadeu Loureiro Lopes
Médico formado pela UFES
Membro da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia
 
 
 
LEIA ABAIXO O 1° CAPITULO
 
 
"O PERCURSO DO SOL E O CIRCUITO DO VENTO”

“E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar donde nasceu.
O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte, continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos”.

(Eclesiastes 1: 5 e 6).

No último livro do Antigo Testamento, o livro do profeta Malaquias (do hebraico: “mensageiro de Deus” ), em seu último capítulo, segundo versículo, encontramos uma profecia que antecede imediatamente o Novo Testamento. Convido os amigos leitores a ler o livro de Malaquias 4: 2:

“(...) mas para vós, que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, e salvação trará debaixo das suas asas; e saireis, e crescereis como os bezerro do cevadouro”. (grifei).

Decerto, Malaquias, como o último dos doze profetas menores, aponta para o nascimento do “Sol da Justiça” e, ao virar a página da Bíblia, “coincidentemente” (coincidência?), inicia o Novo Testamento, cujo texto inicial descreve o nascimento do Senhor Jesus para o Projeto de Salvação (a disciplina da Teologia que estuda o Projeto Salvífico é a Soteriologia). E prossegue o profeta dizendo da morte e ressurreição de Jesus e o surgimento de Sua Igreja: “e salvação trará debaixo das suas asas” (lembra-nos os braços abertos na cruz do Calvário) e “crescereis como os bezerros do cevadouro” (o cumprimento desta profecia vemos em Atos 2: 47: “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” – sublinhei). 

Vemos também, em Apocalipse 12: 1, a Igreja fiel revestida de Jesus: “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol (...)” Isto nos faz lembrar a recomendação de Salomão, em Provérbios 27: 26: “Os cordeiros serão para te vestires (...)”, vale dizer: o Cordeiro Eterno como vestimenta da Igreja arregimentada por Ele mesmo.

Volvendo o olhar para o texto em epígrafe temos o trajeto do “Sol” num projeto divino e perfeito, com três etapas, das quais a primeira é “e nasce o sol”. Nesta ordem de idéias, Isaias (cap. 9, v. 6) profetiza: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros”, focalizando as duas naturezas amalgamadas do Senhor Jesus: “um menino nos nasceu” (menino, o nascimento como homem) e “um filho se nos deu” (a oferta do Filho de Deus, Deus-Filho). Surge uma indagação: por que o profeta diz: “o principado está sobre os seus ombros”? O professor Ralph Gower , descrevendo o ritual do casamento patriarcal dos tempos bíblicos, assevera: 

“O noivo saía de sua casa para buscar a noiva na casa dos pais dela. Nesse ponto, a noiva usava um véu. Em algum ponto o véu era retirado e colocado no ombro do noivo, e feita a seguinte declaração: ´o governo estará sobre os seus ombros`”.

Assim, Jesus com o alto preço da redenção, toma o “véu” da Igreja (aquilo que antes cobria os seus olhos) e o lança sobre os Seus largos ombros, declarando: não temas, o governo está sobre os Meus ombros. Oh! Quão maravilhoso é estar sob o comando de Jesus! O Corpo (Igreja) de Cristo, também nasce a partir da morte e da ressurreição de Jesus. Davi, em visão profética, registra o “Corpo” nascido da morte e da ressurreição, no Salmo 139: 14:

“Eu te louvarei, porque de um modo terrível, e tão maravilhoso fui formado (...)”.

Davi, descrevendo a formação do “Corpo”, utiliza o verbo no futuro: “louvarei” (visão profética), dizendo da formação terrível (morte no Calvário), mas tão maravilhosa (ressurreição ao terceiro dia) do “Corpo” (Igreja). Davi escreve na primeira pessoa (“Eu te louvarei”) porque se identifica, através da revelação, com a formação do “Corpo”. Jesus é o “Sol da Justiça”. Vejamos Apocalipse 21: 23, em descrição à Nova Jerusalém que o Senhor preparou para a Sua Igreja: 

“E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada”. (destaquei).
No evangelho segundo Marcos (17: 2), há um retrato mais específico, na ocasião da transfiguração de Jesus:

“E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz”. (sublinhei).

A segunda etapa inserida no texto sob comento é: “e põe-se o sol”. Davi menciona o “pôr do sol”, o sofrimento do Messias e o faz numa antevisão interessante, no Salmo 22: 14 e 15: 

“Como águas me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.
A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar, e me puseste no pó da morte”. 

O “pôr do sol” nos fala da morte do Senhor Jesus: uma Oblação Perfeita e Absoluta suficiente para resgatar o elo perdido no Éden. Que bom que não necessitamos de nos penitenciar, pois o jugo de Jesus é suave e o seu fardo é leve. O sacrifício de Jesus foi (e é) perfeito e suficiente para nos dar vida e vida eterna. Interessante quando Jesus (o “Sol da Justiça”) morria na cruz do Calvário, imediatamente houve uma reação da natureza: o sol se escureceu (o sol se curvou diante do “Sol”). Vejamos em Lucas 23: 45 e 46: 

“Escureceu-se o sol; e rasgou-se ao meio o véu do templo.
E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou”.

A terceira etapa da trajetória do sol é: “e volta ao seu lugar donde nasceu”. Aqui, detectamos o grande momento profético e apoteótico no qual a Igreja fiel espera (a disciplina da Teologia que estuda a doutrina das últimas coisas e acontecimentos é a Escatologia). Eis o grito da Igreja: Vem, Senhor Jesus. A propósito, leiamos Apocalipse 22: 16 e 17: 
“Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas: eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.
E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. 
E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome, de graça da água da vida”. 

No momento da ascenção de Jesus, após a Sua ressurreição, a promessa registrada foi a da Sua volta – “e volta ao seu lugar donde nasceu”. O Projeto “nasceu” para a Igreja. Leiamos Atos dos Apóstolos 1: 9-11: 

“E quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.
E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, 
Os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, HÁ DE VIR ASSIM COMO PARA O CÉU O VISTES IR”. (destaquei).

Nesta linha de revelação, transcrevo um breve trecho de minha nona obra literária :
Resgato, em última análise, um fato histórico interessante. É que nos tempos da Igreja primitiva, vivenciando as grandes perseguições, era-lhe necessário o uso de senhas para o acesso dos primeiros cristãos aos esconderijos onde os cultos se processavam. O dicionarista bíblico (BOYER, O. S. Pequena enciclopédia bíblica. São Paulo: Vida, 1995, p. 404) informa que a senha usada, consta em I Coríntios 16: 22: “Se alguém não ama ao Senhor Jesus, seja anátema; maranata”. Onde anátema significa amaldiçoado ou condenado; maranata é uma expressão aramaica que significa: “o Senhor Jesus vem”, ou o Rei vem, na forma grega “perto está o Senhor”, conforme se vê em Filipenses 4: 5: “Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor”. Compare Apocalipse 22: 20: “Aquele que testifica estas coisas diz: certamente cedo venho, Amém. Ora vem, Senhor Jesus”. Esta, portanto, a senha da igreja primitiva; também deve ser a da Igreja fiel que aguarda a vinda de Jesus. Um nome revelado que identifica uma mensagem eternal.

Deveras, o desejo que a Igreja fiel nutre acerca da volta de Jesus, é bem relatado por Salomão, em Cantares. Senão vejamos.

“Antes que refresque o dia, e caiam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados, sobre o monte de Beter”. (grifei).
(Ct. 2: 17)

“Vem depressa, amado meu, e faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados, sobre os montes dos aromas”. (grifei).
(Ct. 8: 14)

E a resposta do Senhor para a Sua Igreja, de forma metafórica (mas também profética), ainda no livro de Cantares (além da letra) é imediata. Senão vejamos em alguns versículos: 

“Vem comigo do Líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano. Olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermon, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos”. 
(Ct. 4: 8)

“Desci aos jardins das nogueiras, para ver os novos frutos do vale, a ver se floresciam as vides e brotavam as romeiras”. 
(Ct. 6: 11)

E o grande encontro entre a Igreja fiel e o Senhor Jesus nas nuvens, em glória, para a convivência eterna, como que num novo amanhã, se vê em Cantares 7: 12 e 13: 

“Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; ali te darei o meu grande amor.
As mandrágoras dão cheiro, e às nossas portas há toda a sorte de excelentes frutos, novos e velhos; ó amado meu, eu os guardei para ti”. 

Na seqüência temática, passemos a análise do segundo momento do texto epigrafado: o circuito do vento. Em linguagem simbólica, observaremos que uma das características de um símbolo bíblico é o sinal figurativo, a imagem que representa um conceito, daí o caráter profético do simbolismo bíblico. Precisamos encontrar a correspondência simbólica (significante/significado) para o “vento”, tanto mais quando se sabe que há um projeto eterno para a salvação e resgate do ser humano. 

Davi, neste sentido, afirma, no Salmo 104: 4: “Faz dos ventos seus mensageiros (...)”. Na mesma esteira, Jeremias 51: 16: “(...) e tira o vento dos seus tesouros” e Zacarias 6: 5: “E o anjo respondeu, e me disse: Estes são os quatro ventos do céu, saindo donde estavam perante o Senhor de toda a terra”. Debruçando sobre o livro de Ezequiel, também encontraremos textos conexos com a mesma revelação. Vejamos: 
“Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, e uma grande nuvem, com um fogo a revolver-se; e um resplendor ao redor dela, e no meio uma coisa como de cor de âmbar, que saia dentre o fogo”. (grifei)
(Ez. 1: 4)

“E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor Jeová: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam”. (grifei) 
(Ez. 37: 9)

Neste mistério maravilhoso, Jesus associa o vento ao Espírito Santo, donde se vê, de maneira clara, em bom discernimento espiritual, o vento como símbolo do Espírito Santo. No evangelho segundo João, capítulo 3, versículo 8, temos o ensinamento do Mestre: 
“O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”. (grifei).

Quando Lucas escreve o livro de Atos dos Apóstolos, ele segue a mesma linha ditada pelo Senhor, ao descrever a descida do Espírito Santo, no dia conhecido como o “Pentecostes”. Leiamos Atos 2: 2: 

“E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados”. 

Compare o efeito maravilhoso do “Vento” que trouxe o alimento vivo (codornizes) para o povo de Israel quando caminhava no deserto, na ocasião do Êxodo. Leiamos em Números 11: 31: 

“Então soprou um vento do Senhor, e trouxe codornizes do mar, e as espalhou pelo arraial quase caminho de um dia duma banda, e quase caminho de um dia de outra banda, à roda do arraial, e a quase dois côvados sobre a terra”. 

A propósito da caminhada do povo de Israel no deserto rumo à Canaã prometida, vale lembrar de que Deus requer de Seu povo a confiança plena em Seu poder, tanto que Ele admoesta, em Êxodo 14: 15:
“Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem”.

Deveras a ordem era: “Dize aos filhos de Israel que marchem”. Trata-se de um comando divino equivalente a “Dize à minha Igreja que pode seguir confiando em seu Deus”. Na medida em que o povo passou a confiar, o Senhor iniciou o seu processo de livramento e escape dos inimigos. 

Registro relevante que se faz é o “forte vento oriental” da parte do Senhor Deus que soprou para “secar o mar”, simbolizando a operação do Espírito Santo nos momentos mais difíceis da Igreja. Aquele “vento” traduzia em juízo para quem não servia ao Deus de Israel e, ao mesmo tempo, graça e salvação para os verdadeiros servos do Deus Altíssimo, tal como o arrebatamento da Igreja fiel. Vejamos em Êxodo 14: 21:
“Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite, e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas”.
A expressão em tela, “o vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte (...)”, nos conduz à busca de um entendimento acerca dos pontos cardeais desenhados no texto ora sob enfoque: sul e norte, opostos entre si. Para este mister, socorro-me de um texto que escrevi, inserido em minha nona obra literária : 

Na Palestina, há duas porções de água, em torno das quais viviam algumas cidades: uma ao sul, “embaixo”, o Mar Morto, de vasta extensão, a maior porção de água da Palestina, com aproximadamente 76 Km de comprimento por 17 Km de largura e quase 400 metros abaixo do nível do Mediterrâneo, com mais de 900 metros de profundidade, todavia quase não existe vida orgânica, nesta extensa porção de água, mercê da alta concentração de sal, daí o seu nome. Pode se afirmar que no Mar Morto, ou Mar Salgado, não ocorrem tempestades. Tem boa aparência, sobretudo para o turismo (idéia de efemeridade). 
De outro lado, ao norte, surge uma outra porção, relativamente pequena, o chamado Lago de Genezaré ou Mar da Galiléia ou Mar de Tiberíades, atravessado pelo Rio Jordão, daí serem doces as suas águas. Tem apenas vinte quilômetros de comprimento, com profundidade máxima de cinqüenta metros. É cercado por dez a doze cidades, entre elas Cafarnaum. Exatamente ao longo deste lago, mais precisamente em sua praia, aconteceu o chamado dos discípulos, conforme se vê em Mateus 4: 18 a 22. Dir-se-ia: o lugar do chamado, da escolha, da eleição. Também foi o lago onde Jesus acalmou a tempestade, próximo de Cafarnaum, cidade onde Jesus operara grandes milagres”. (grifei).

Quando o texto apregoa: “o vento vai para o sul” (= Mar Morto, o mundo em si, sem vida) e “faz o seu giro para o norte” (= Mar da Galiléia, lugar do chamado, presença do Senhor), podemos ver o “circuito do vento”, vale dizer, o Projeto Santo de Deus na Pessoa do Espírito Santo indo buscar o pecador no mundo (Sul = Mar Morto), trazendo-o para a presença de Deus (Norte = Mar da Galiléia), através de grandiosas experiências; não em coincidências, mas em evidências. Uma recuperação – dir-se-ia: um verdadeiro resgate – maravilhosa.

Nós podemos escolher: ficarmos no “sul” (vivendo para as coisas terreais – o Mar Morto – como a multidão que não sabe de onde veio, nem para onde vai) ou direcionarmos para o “norte” (vivenciando as bênçãos do Espírito Santo em Jesus, no Lago de Genezaré, o lugar do Chamado). Contudo, colheremos o que plantamos. Assim assevera o texto de Eclesiastes: “... caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar em que a árvore cair ali ficará” (Ec. 11: 3). Cabe exclusivamente a cada um de nós a escolha. O que você vai escolher?

Diz o texto sagrado: “continuamente vai girando o vento”. Enquanto a “Porta da Graça” não se fechar com o arrebatamento da Igreja fiel – diga-se uma vez mais – “continuamente vai girando o vento”. 

Interessante que os dois versículos em estudo terminam com a “volta”: a “volta do sol”, em sua trajetória e a “volta do vento”, em seus circuitos (leia-se: “Projeto de Deus”). Isto nos leva a refletir sobre o momento histórico e profético que estamos vivendo. Com efeito, o mundo não entende e se apavora com os sinais sob todos os aspectos, notadamente no ecossistema e na inversão de valores morais que assola a humanidade; a Igreja fiel olha para o alto, entende os sinais bíblicos, e vê a sua redenção se aproximar. E quão agradável é estar na luz da revelação, consoante diz o texto em Eclesiastes, por mim grifado: “Verdadeiramente suave é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol.” (Ec. 11: 7). 

Em última análise, o “circuito do vento”, do sul para o norte, traz o refrigério maravilhoso e com ele, o bom perfume de Cristo. Este projeto está bem definido no livro de Cantares, refletindo o grande encontro do Senhor Jesus com a Sua Igreja, Seu belo Jardim. Senão vejamos, em Cantares 4: 16, numa leitura para a edificação: 

“Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Ah! se viesse o meu amado para o seu jardim, e comesse os seus frutos excelentes”.

 
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