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A Noiva Amada

Um estudo da obra do espírito santo na vida da igreja

Categoria: Livros
Evento: Brochura
Data: Editora Além da Letra
Disponibilidade: Imediata

Por R$ 28.90



  Descrição   

Thomas Black Wilson
Autor
 
É membro da Igreja Cristã Maranata desde 1987, servindo ao Senhor como Pastor na Inglaterra, Irlanda e em Portimão – Portugal;

 

- Estudou em Moorlands Bible College, em Dorset, Inglaterra, onde obteve especialização em História das Missões, Grego, Exegese, Síntese da Bíblia, Homilética e Escatologia;

 

- Formou-se na Kings Park Secondary School em Glasgow, Escócia, onde obteve “Scottish Highers” em Inglês, Matemática, Física, Química, Desenho de Engenharia e Mecânica e “Scottish Lowers” em Francês, História e Geografia;

 

- Baixarelou-se em Matemática, Física e Química pela Universidade de Paisley, Escócia;

 

- Especializou-se em Matemática (Pura e Aplicada) e Física pela Universidade de Londres, no Imperial College, onde obteve o título de “Honours Degree”;

 

- Iniciou a sua carreira como professor de Matemática na Easterhouse Secondary School em Glasgow, onde foi também Inspetor e Conselheiro nos Serviços Sociais;

 

- Foi para Portugal em 1969 como Missionário, onde Trabalhou em Coimbra, como assistente da Intervarsity Fellowship, sob a chefia do Secretário-Geral Dr. Stacey Woods;

 

- Foi professor de Matemática e Química na American School em Carnaxide, Portugal;

 

- Em 1975 foi professor de Matemática na Billericay School, Essex, Inglaterra durante 5 anos;

 

- Foi chefe do Departamento de Matemática e Ciêcias na Escola Internacional do Algarve em Porches, Portugal, durante oito anos;

 

- Aposentou-se em 1998, tendo regressado a Portugal no ano seguinte. Tem duas filhas e um filho: Lillian, casada com Patrick Freire de Miranda de nacionalidade brasileira. Têm um filho, Samuel. Esperam brevemente o seu segundo filho. Heidi, casada com Nigel Charles Gale, de nacionalidade Inglesa. Têm uma filha, Eloise, e um filho, James. John-Mark, que é casado com Chantal Priscilla Scheuerkugel Wilson, de nacionalidade holandesa.
 
- Vive atualmente com a esposa em Portimão, Portugal.
 

 
DECLARAÇÃO
 
O Pastor Thomas Black Wilson é um estudante incansável da Palavra de Deus e
 
Pastor da Igreja Cristã Maranata
 

INTRODUÇÃO

 

A Bíblia apresenta-nos uma igreja na qual Senhor Jesus se manifesta, onde as pessoas são amadas, vivendo numa comunidade que agrada ao Senhor. É a noiva amada do Senhor Jesus.

 

Esta igreja é muito diferente daquela que os homens costumam conhecer. Infelizmente, ao longo da história, a igreja nem sempre tem dado glória ao nome do Senhor nem tem sido veículo de bênção. Muitas vezes preocupou-se mais em agradar aos homens do que ao Senhor. Como conseqüência, a revelação do Senhor foi desprezada e substituída pela razão, teologia e filosofia humana, e a presença do Senhor Jesus foi trocada pela tradição e pela liturgia, com os seus rituais e cerimônias.

 

Durante séculos houve sempre pessoas féis ao Senhor, que reconheceram que a igreja da sua geração estava longe do ideal, mas não desistiram procurando viver para agradar ao Senhor, para que a igreja fosse aquilo que o Ele queria. Viram sempre a igreja dos primeiros tempos como modelo e entenderam pela Bíblia que, nos últimos dias, o Senhor derramaria o Espírito Santo sobre a Igreja, tal como fizera no princípio.

 

Também entenderam que a opção fora da igreja não existia porque o projeto do Senhor é a Igreja fiel. Foi por ela que derramou o seu sangue. O Senhor podia levar as pessoas para o céu assim que se convertessem. Mas não o faz. Determinou que vivessem, fazendo parte duma igreja local, submetendo-se aos ministérios e aceitando a orientação Dele.

 

Nos últimos anos temos assistido em nível mundial uma grande insatisfação com as igrejas, o que tem levado muitos a desistirem de freqüentá-la, apesar de já terem tido experiências com o Senhor Jesus.

 

Porém não é possível conhecê-Lo e, ao mesmo tempo, rejeitar a igreja da qual Ele é O Cabeça. Por isso podemos dizer que não há salvação fora da Igreja fiel. O Senhor Jesus não só morreu por nós: ele vive por nós. Como Cabeça da igreja, opera pelo Espírito Santo na vida do seu povo, proporcionando uma salvação que é dinâmica.

 

Do ponto de vista humano, nenhuma igreja é perfeita. Nem a igreja apostólica o foi. Mas o Senhor vê a igreja fiel como “uma igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef. 5:27). Quando a igreja atende às revelações do Senhor e põe tudo em prática, o Senhor considera-a perfeita.

 

A pergunta que muitos fazem hoje em dia é “Onde é que posso encontrar a igreja que vive para servir o Senhor e para realizar a sua Obra?” Achamos esta pergunta no livro de Cantares:

 

 “Diz-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o recolhes pelo meio-dia: pois por que razão seria eu como a que erra ao pé dos rebanhos dos teus companheiros?” (Cant. 1:7).

 

A resposta segue-se logo. É o Senhor Jesus que aconselha: “Se tu o não sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas das ovelhas, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores” (Cant. 1:8).

 

Fazemos parte da igreja fiel se seguirmos as pisadas das ovelhas, isto é, daqueles que deixaram o Senhor dirigir as suas vidas e se ouvirmos a voz do mesmo Pastor.

 

Não podemos viver isolados do rebanho do Senhor e esperar conhecê-Lo. Ele vive no meio do rebanho. É essencial que façamos parte da igreja local.

 

O propósito deste livro é apresentar a igreja de Cristo como o projeto de Deus. Esperamos que aqueles que estão decepcionados com a igreja decidam ficar novamente identificados com ela, ao entender quão importante ela é. Ao mesmo tempo esperamos que aqueles que já estão ligados à igreja possam valorizá-la e ficar cada vez mais integrados.

 

 

CAPÍTULO 1

 

OS PRIMEIROS DIAS DA IGREJA.

 

Israel, a comunidade de Deus

 

A igreja nasceu no solo da nação de Israel. Muitos cristãos ao longo da história têm se sentido incomodados com esta ligação histórica, mas a igreja não teria surgido sem Israel.

 

Vemos no Velho Testamento que a nação de Israel era a comunidade de Deus. Dentre todas as nações Deus a escolheu para ser o seu povo. O Senhor falou com Israel através de Moisés, dizendo:

 

“Povo santo és ao Senhor, teu Deus: o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosse o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há. O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos” (Deu. 7:6-7).

 

O Senhor tirou o seu povo do Egito onde tinha sido escravo. Dirigiu-o através do deserto, cuidando dele, dando-lhe água da rocha e maná para comer. Fez uma aliança com eles no monte Sinai, dizendo que, para ser o seu povo, teriam que guardar a lei que Ele lhes deu através do seu servo Moisés. Ali lhes revelou que o Seu desejo era habitar no meio deles. No tabernáculo, e mais tarde no templo, revelou a Sua glória na forma duma nuvem que cobria a casa. Conduziu-os até a terra de Canaã, que tinha prometido a Abraão como herança, e deu-lha, desalojando os moradores pagãos. Ao longo da história Deus mostrou que, se o povo atendesse à Sua voz e fosse obediente à Sua Palavra, Ele seria o seu Deus, presente no meio deles, dirigindo-os e abençoando-os.

 

Israel foi escolhido para realizar uma missão. O Senhor falou desta missão por intermédio de Moisés no monte Sinai:

 

“Se, diligentemente, ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu concerto, então sereis a minha propriedade particular de entre todos os povos: porque toda a terra é minha. E vós sereis um reino sacerdotal e o povo santo” (Êx. 19:5, 6).

 

A sua missão era mostrar o Deus vivo aos vizinhos pagãos através da maneira de viver, individual e coletivamente. Mas Israel falhou como povo de Deus. Não valorizou a presença do Senhor nem aquilo que tinha feito a seu favor. Murmuraram contra o Senhor. Recusaram obedecer-Lhe. Rejeitaram os profetas que Deus mandou. Por fim, rejeitaram o Senhor Jesus, o seu Filho, e entregaram-No aos romanos para ser crucificado.

 

Apesar deste fracasso, Deus fez duas coisas através de Israel, as quais trouxeram bênção ao mundo inteiro:

 

·                                       Deu as sagradas escrituras ao mundo.

A palavra que Deus deu a Israel através dos profetas ficou mais tarde escrita em documentos que foram muito valorizados pelos Judeus. Estes documentos formam o Velho Testamento.

 

·                                       Deu o seu Filho ao mundo…o Salvador do mundo.

O Senhor Jesus veio ao mundo através da nação judaica.  

 

Não veio logo que Adão caiu. Houve um período de cerca de 4.000 anos de intervalo. O Pai, que traçou cuidadosamente o plano de salvação, não queria que nada corresse mal na implementação desse plano.

 

Era preciso preparar tudo, dum modo meticuloso, para a vinda do Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus. Assim, antes que Ele viesse, era necessário revelar aos homens a necessidade dum cordeiro que tomasse o lugar deles e sofresse as conseqüências dos pecados, para que Deus pudesse perdoar-lhes e ter comunhão com eles.

 

Deus falou com Adão sobre a necessidade dum cordeiro. Mais tarde Abel também entendeu essa necessidade. Depois Deus disse a Abraão que ele proveria o cordeiro. Deus revelou a Israel a necessidade dum cordeiro através de Moisés. O cordeiro da Páscoa fala do mesmo. Depois a adoração no tabernáculo e no templo focava o cordeiro, que constituía o sacrifício contínuo no altar.  

 

Os profetas revelaram que o cordeiro seria um entre o povo. Seria o Messias (em Hebraico Mashiach), o Filho de Davi. O profeta Isaías, em particular, explicou que, antes que o Messias viesse como rei conquistador, viria em grande humildade como servo sofredor. O capítulo 53 de Isaías explica cuidadosamente que o Messias levaria sobre si os nossos pecados e sofreria o castigo, que nós merecemos, por não termos honrado o Senhor, como devíamos. 

 

Por todo o Velho Testamento Deus fez tudo para falar daquele que seria a sua grande provisão para a humanidade.

 

Igreja, a nova comunidade de Deus

 

Israel foi escolhido para mostrar o Deus vivo ao mundo através das suas vidas. Mas Israel falhou. O Senhor bem que tentou usar Israel. Vez após vez enviou profetas para avisá-los, mas foi em vão. Por fim, teve que desistir deles.

 

O Senhor levantou a igreja para dar seguimento ao seu projeto. Na véspera da sua morte o Senhor Jesus contou uma parábola que falou disso: A parábola dos lavradores maus. Depois de contar como Israel rejeitou e matou os profetas que lhes foram enviados, acabando por fim por matar o herdeiro, o Senhor disse o seguinte àqueles líderes religiosos:

 

“O Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mat. 21: 43).

 

Esta nação seria a Igreja. O Senhor Jesus tinha dito aos discípulos que ia edificar a Sua igreja (Mat. 16:16). Porém o Senhor Jesus teve que dar a Sua vida antes que a igreja pudesse existir (Ef. 5:25). Três dias depois da sua morte o Senhor Jesus ressuscitou para ser o Senhor e O Cabeça da Igreja (At. 2: 3 e Ef. 5: 23).

 

A igreja nasceu em Jerusalém, exatamente sete semanas depois da ressurreição de Jesus, no dia da festa de Pentecostes. Naquele dia o Senhor Jesus derramou o Espírito Santo sobre os discípulos, batizando-os com o Espírito Santo, tal como tinha prometido (Lucas 24: 49). Este foi o cumprimento da profecia de Joel, cap.2 vers. 28.

 

Tradicionalmente no dia de Pentecostes os judeus celebravam o recebimento da lei que era uma parte integrante da aliança que Deus fizera com eles. Esta lei foi escrita em tábuas de pedra. Mas naquele dia de Pentecostes o Espírito Santo foi derramado sobre a igreja para selar a nova aliança entre Deus e o Seu povo, a Igreja. Através da operação do Espírito Santo na vida do Seu novo povo, a lei de Deus seria escrita, não em pedras, mas nos seus corações (Jer. 31: 31-33).

 

Até esta altura o Espírito Santo tinha vindo sobre indivíduos para determinadas tarefas. Mas no dia de Pentecostes verificou-se um fenômeno novo. O Espírito Santo foi derramado sobre todos os servos da Igreja. Naquele momento formou-se um novo corpo, o Corpo de Cristo, e a Igreja nasceu.

 

O livro de Atos fala-nos dos primeiros dias da igreja. Muitas pessoas foram acrescentadas à Igreja através dos apóstolos. Depois da primeira pregação, três mil homens entraram para a Igreja (At. 2:41). Em pouco tempo já tinha mais do que cinco mil homens (At. 4:4). Portanto podia haver cerca de vinte mil pessoas na Igreja. Inicialmente era judaica, mas em breve os gentios se juntaram a ela.

 

Logo após a ressurreição os discípulos tinham todos os dados necessários para ser testemunhas do Senhor Jesus, mas estavam proibidos de anunciar o evangelho ao mundo. O Senhor tinha-lhes dito que deveriam ficar em Jerusalém e esperar pela promessa do Pai, o Espírito Santo (At. 1: 8).

 

O livro de Atos conta como isto aconteceu. Através duma perseguição forte a Igreja, à exceção dos apóstolos, foi espalhada através da Judéia e Samaria (At. 8: 1). Dispersos, foram por toda a parte, anunciando a Palavra. Foram bons evangelistas. Esta palavra “anunciar” não significa “pregar.” Significa “conversar.” O Senhor Jesus era o tema da conversa.

 

Conversamos sobre aquilo que é mais importante para nós. Alguns gostam de conversar sobre as suas doenças, as suas desgraças, os seus filhos e netos, a sua equipe de futebol, as suas esperanças, mas a conversa destas pessoas era diferente.

 

Tiveram que deixar casas, empregos, famílias e os amigos para procurarem um lugar onde pudessem se abrigar. Quantas pessoas têm tido esta experiência terrível! Mas estes refugiados eram diferentes de todos os outros. Quando chegavam a uma aldeia ou a uma vila nova, não se queixavam da sorte, mas anunciavam a Palavra. Falavam daquilo que era o mais importante em suas vidas. Falavam do Senhor Jesus, a pérola de grande preço, que estava presente no meio deles e pelo qual estavam dispostos a perder tudo. Não é de se admirar que as pessoas os ouvissem com atenção! Entre os servos perseguidos, Filipe, um diácono, anunciou o Senhor ao chegar à cidade de Samaria. Muitas pessoas converteram-se e houve grande alegria na cidade.

 

Quando os apóstolos, em Jerusalém, ouviram que Samaria tinha recebido a Palavra, enviaram Pedro e João. Chegando ali eles oraram pelos irmãos de Samaria que tinham sido batizados nas águas, mas que ainda não tinham recebido o Espírito Santo. Isto é, o Espírito Santo ainda não tinha vindo sobre eles como acontecera com os discípulos no dia de Pentecostes.

 

Obviamente eram convertidos e tinham experimentado a operação do Espírito Santo nas suas vidas porque eram batizados nas águas. O que faltava nas suas vidas era o batismo com o Espírito Santo. Quando os apóstolos oraram por eles, impondo-lhes as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles (At. 8: 15- 17). Logo houve uma manifestação deste batismo com o Espírito Santo porque Simão, um novo convertido, ficou tão impressionado que ofereceu dinheiro aos apóstolos para que pudesse ter o poder para dar o Espírito Santo a outros.

 

Algum tempo depois o apóstolo Pedro atendeu ao pedido dum gentio chamado Cornélio, um centurião romano que morava em Cesárea, ao norte de Samaria, na fronteira com a Galiléia. O Senhor tinha ensinado Pedro por meio duma visão (um grande lençol atado pelas quatro pontas, que descia do céu e que continha toda espécie de animais e aves impuros) para que vencesse os escrúpulos que tinha como judeu ortodoxo em relação aos gentios.

 

Pedro ainda estava no terraço da sua casa pensando sobre esta visão, quando o Espírito Santo avisou a Pedro da presença de três homens à porta dele e disse-lhe que os acompanhasse. Pedro foi à casa de Cornélio e lá entrou. Coisa que nenhum judeu ortodoxo teria feito. Ali estava presente Cornélio, juntamente com os seus parentes e amigos mais íntimos. Mais tarde Pedro contou aos apóstolos aquilo que aconteceu a seguir, dizendo:

 

“Quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como sobre nós ao princípio. E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo. Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando havemos querido no Senhor Jesus Cristo, quem era, então eu, para que pudesse resistir a Deus?” (At. 11: 15-17).

 

Ao ver o Espírito Santo vir sobre aquelas pessoas na casa de Cornélio, os irmãos que tinham acompanhado Pedro ficaram maravilhados porque o Espírito Santo foi derrado sobre os gentios (At. 10: 45).

 

Vemos, portanto, que o livro de Atos relata como a igreja testemunhou de Jesus com poder através de vidas transformadas pelo Espírito e como o Senhor confirmou a Palavra através de sinais.

 

Igreja: Comunidade profética

 

Existia a idéia de que a Igreja não fazia parte do plano de Deus inicialmente. Diziam que, quando o Senhor Jesus se apresentou à nação de Israel, foi como Messias e rei, prestes a libertá-los do jugo dos romanos. E que depois, quando os Judeus rejeitaram Jesus, entregando-o para ser crucificado, Deus teve que mudar o plano. Daí pensou na idéia da Igreja. Isto não é verdade! Deus não foi apanhado de surpresa pela rejeição de Israel. A igreja não foi um acidente da história. A igreja fez sempre parte do projeto de Deus.

 

Quando o Senhor Jesus veio, não veio como o Messias rei, que iria libertá-los dos romanos, mas como o Messias servo sofredor. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Veio para dar a Sua vida pelos outros. Veio para morrer como o Cordeiro de Deus pelo mundo inteiro.

 

Israel não conseguiu entender este fato, apesar do profeta Isaías ter escrito sobre ele (Isa. 53). O apóstolo Pedro apresentou esta verdade ao povo de Jerusalém no dia de Pentecostes. Explicou que não foi por acaso que o Senhor Jesus morreu (At. 2: 23).

 

Sem saber, as autoridades religiosas de Israel cumpriram o plano divino quando rejeitaram o Senhor Jesus e o entregaram para ser crucificado.

 

O plano de salvação não foi traçado no dia em que Adão pecou no jardim do Éden. O plano já existia desde a eternidade. Do mesmo modo, o plano de Deus não foi alterado quando a nação de Israel rejeitou o Senhor Jesus. Esta rejeição de Israel já fazia parte do “determinado conselho e presciência de Deus”.

 

Como o Senhor Jesus era o Cordeiro de Deus antes da criação do mundo, assim a igreja do Senhor também fazia parte do seu projeto eterno. Na eternidade Deus pensou em nós. Quis que fizéssemos parte do seu plano maravilhoso de salvação. Também quis que fizéssemos parte da Sua Igreja, cujo Cabeça é o Senhor Jesus.

 

Não devia surpreender-nos que o Velho Testamento fale acerca da Igreja. Os profetas falaram dela quando disseram que, no futuro, a comunidade de Deus seria composta de pessoas de todas as nações (Mal. 1: 11, Isa. 49: 6).

 

O profeta Amós fala da restauração da tenda de Davi:

 

“Naquele dia, tornarei a levantar a tenda de Davi, que caiu, e taparei as suas aberturas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e a edificarei como nos dias da antiguidade; para que possuam o restante de Edom, e todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas” (Amós 9:11,12).

 

Esta profecia foi cumprida no tempo da igreja apostólica quando Israel, a tenda de Davi, estava em ruínas. O apóstolo Tiago chamou a atenção de todos para esta profecia no primeiro concílio da igreja em Jerusalém. Pedro tinha falado primeiro, contando como o Senhor visitou os gentios para tomar um povo para si. Muitos gentios entraram na igreja através da primeira viagem missionária de Paulo. Tiago afirmou que a presença dos gentios na igreja era o cumprimento da profecia:

 

“Depois disso, voltarei, e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, levantá-lo-ei das suas ruínas, e tornarei a edificá-lo. Para que o resto dos homens busque ao Senhor, e todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, diz o Senhor, que faz todas estas coisas” (At. 15: 16,17).

 

É interessante que em Amós lemos “o restante de Edom” enquanto em Atos lemos “o resto dos homens”. Edom era só uma nação. Como é que Tiago podia então dizer que Amós falou doutra coisa? Em hebraico a palavra Edom é a mesma de Adão, é a mesma de “homem”, no sentido geral de “toda a humanidade”. Do mesmo modo em Amós lemos “de nações” enquanto em Atos lemos “dos gentios”. O apóstolo Tiago não estava inventando nada, mas estava citando a tradução grega das Escrituras, a Septuaginta.

 

Deste modo Tiago dizia que aquilo que o Senhor fez, levantando a igreja judaica, foi o cumprimento da profecia de Amós. Foi o levantar da tenda de Davi que tinha estado caída. Tiago também estava dizendo que a igreja judaica tinha sido levantada para alcançar as nações gentílicas. Israel falhou na sua missão, mas a igreja não podia falhar.

 

No princípio a igreja era judaica, mas passado pouco tempo, transformou-se numa igreja onde havia judeus e gentiosperdendo a característica judaica e se transformando numa igreja gentílica.

 

A idéia duma igreja gentílica ou duma igreja composta de judeus e gentios era impensável para um judeu. Portanto, embora os profetas falassem sobre esta igreja, a idéia duma igreja dessas esteve escondida aos judeus, principalmente devido aos seus preconceitos.

 

Quando Paulo fala da igreja, usa muitas vezes a palavra “mistério”. Com esta palavra Paulo não está diznedo que o assunto é algo “místico” ou “vago” que não tem uma explicação natural. A palavra “mistério” significa que algo está escondido aos homens e que não pode entender-se até que seja revelado. Por isso o apóstolo Paulo escreveu que a doutrina da igreja é um “mistério”. Ela não era entendida no passado. Mas aquilo que o homem não entendeu, pode agora ser entendido com revelação (Col. 1: 26).

 

A igreja é uma comunidade profética. Por revelação vemos referências a ela no Velho Testamento. De particular interesse é o Cântico dos Cânticos.

 

Em Efésios, capítulos 2 e 3, Paulo explica que Deus revelou o “mistério” da igreja aos apóstolos. Não era conhecido o fato de que Deus ia tomar dois povos, judeus e gentios, e os juntar para formar a Igreja. Mas Paulo explicou que o Senhor derribou a parede de separação para criá-la. Deste modo formou um só povo. Deus fez isto para que os dois povos fizessem parte do mesmo Corpo e pudessem participar do mesmo Espírito.

 

A igreja foi sempre parte integrante do plano eterno de Deus e que os profetas falaram dela. Porém quando lemos a Bíblia descobrimos que a igreja não é apenas uma parte do projeto eterno de Deus. Ela é o projeto de Deus. O livro de Efésios mostra que o propósito de Deus é:

 

 “tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão no céus como as que estão na terra” (Ef.1: 10).

 

O Senhor Jesus veio para salvar o que estava perdido com o propósito de edificar a Igreja. Morreu para salvar pecadores para que ela pudesse ser estabelecida (Tit. 2: 14). O objetivo principal do Senhor não era de ter muitas pessoas com uma experiência de salvação, vivendo isoladas, mas muitas pessoas salvas pelo Senhor, vivendo juntas numa sociedade nova chamada “a Igreja”.

 

O propósito do Senhor era ter um povo que ficasse destacado do resto da humanidade. Um povo caracterizado por vida em vez de morte, unidade em vez de divisão e alienação, vidas sadias em vez de corrupção e maldade, amor em vez de ódio, paz em vez de aflição, alegria em vez de tristeza e vitória em vez de derrota.

 

Vimos que a nação de Israel falhou apesar de ter sido escolhida para ser testemunha. Pensou que era o povo favorito do Senhor e que teria a bênção do Senhor mesmo que não lhe obedecesse. Não podemos esquecer-nos de que não somos favoritos de Deus. Também nós fomos escolhidos para sermos testemunhas, para servir. O Senhor quer usar-nos no poder do Espírito Santo para alcançar vidas para Ele.

 

Vila Velha, 27 de março de 2009.

 
ARLINIO DE OLIVEIRA ROCHA
tem sido um companheiro fiel nesta Obra do Espírito Santo. Amigo de longas datas, autor do livro: O Filho Amado, que lhe apreciei e agora acaba de escrever: A Noiva Amada, num momento em que a Igreja Fiel anseia o grande dia da volta do Senhor e do arrebatamento da Igreja.Que o Senhor abençoe o Pastor Tom, bem como a todos os seus leitores.

 

 
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