CONHEÇA MAIS SOBRE O LIVRO:
Introdução:
Vivemos em um mundo que passa por profundas transformações, onde o homem é encorajado a ir em busca de novos conhecimentos e desenvolver novas habilidades cujo único objetivo é ingressar e permanecer em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. No que concerne à saúde, todos estão atentos às pesquisas cientificas sobre suplementos nutricionais, como os antioxidantes, e de que forma eles estão relacionados a doenças degenerativas e do envelhecimento. Mas nada disso é suficiente o bastante para retirar o homem das profundezas da caverna e libertá-lo dos grilhões da insatisfação, do medo e da incerteza do amanhã. A alma sedenta faz questionamentos cujas respostas a inteligência humana ainda não foi capaz de elaborar e foi conhecendo essa inquietação do espírito do homem que Jesus disse: “Aquele que tem sede venha a mim e beba”. Os gregos chamavam esta sede de ansiedade. E foi conhecendo essa fonte que a sequidão do meu coração foi regada, dando-me forças para caminhar o primeiro dia na certeza de poder chegar ao sétimo e obter uma mudança completa em minha vida.
1º Capítulo: O LIVRO DA CAPA PRETA
Manhã do Primeiro Dia
Numa linda manhã de primavera, o suave cheiro de mato em flor invade a biblioteca. Ali Jean, um jovem de trinta anos de idade, cabelos negros, corpo atlético, formado em economia pela Fundação Getúlio Vargas, cumpre um dos seus rituais semanais: ajustar a sua agenda profissional e planejar as ações que deve tomar durante a semana. E não há lugar melhor para cumprir esta tarefa do que em casa, foi o que o jovem aprendeu com o Sr. Antonio, “o pai”, o velho empreendedor da família.
Quando o antigo relógio da biblioteca confirma, com doze badaladas, que a primeira parte do dia se fora, o jovem levanta-se, vai até a janela e contempla o belo jardim cuidadosamente planejado por dona Ruth, uma senhora já na terceira idade, a matriarca da família. Ela sempre fora auxiliada nesse mister por Neemias, um dos servidores da casa, encarregado em dar um toque especial na parte externa da moradia. Este homem vivia sempre arando a terra, semeando, regando, podando e dando forma àquilo que antes parecia não ter vida. Ao que a mim parece é que os jardineiros são um grupo de arquitetos, nomeados por Deus, para cuidar de um dos tipos de vida inteligente que habita ao lado da nossa morada.
Após o almoço, o jovem pega o seu carro, uma Mercedes prateada, para ir ao trabalho, mas na saída enxerga o velho jardineiro sentado debaixo de um pé de ipê branco, sobre um tapete uniforme de flores que caíam da linda árvore. O homem estava lendo um livro de capa preta. Só então o jovem se dá conta de como os anos se passaram e nunca mais brincara com o Sr. Neemias, pois na sua infância foi este velho quem o ensinara a subir nas árvores para se deliciar com os seus frutos. Foi ele também quem o ensinou a empinar sua primeira pipa, ocasião em que aprendeu a contemplar o lindo céu azul.
– O que o senhor está lendo de interessante? – Perguntou ao velho.
– Aquele que tem sede, venha a mim e beba, respondeu o ancião.
– Não entendi! – insistiu o rapaz, fixando os olhos no homem.
– Esta é uma passagem da Bíblia na qual Jesus fala da sede da alma do homem e nos convida a ir até ele para que possamos dessedentar a nossa alma - respondeu o jardineiro.
– Sede da alma? Questionou o jovem uma vez mais.
– Sim! Sede da alma. Confirmou o jardineiro.
– Como pode o homem ter sede da alma?
– Jean! Os gregos chamavam a sede da alma de ansiedade. E esta tem levado o homem à loucura, pois cria no nosso coração um vácuo, como se fosse um buraco negro e nada pode preencher, a não ser o Senhor Jesus.
Jean é tomado de uma profunda emoção, pois nunca alguém falara com ele daquela maneira. Parecia que o velho conhecia o que estava se passando em sua vida. Neste momento o celular toca, interrompendo aquela conversa.
Era Simone, uma mulher da mesma faixa etária do jovem que, há mais de 10 anos, exercia a função de secretária executiva na empresa da família. Era envolvida e comprometida com o trabalho, sendo que uma de suas atribuições era auxiliar Jean na administração de sua agenda de compromissos. Tinha ligado para confirmar uma reunião que fora marcada com um grupo de empresários canadenses que visitaria a empresa naquela tarde.
À noite, antes de se recolher, Jean costumava passar algumas horas na biblioteca da família para sua tradicional leitura, hábito adquirido depois de muitos anos de insistência do pai: um homem de fibra, nordestino que se mudara para o Rio de Janeiro na década de 60, vindo a trabalhar como vendedor ambulante, sendo que, posteriormente, montou um armazém de secos e molhados. Atualmente, é dono de uma cadeia de supermercados no interior do Rio de Janeiro e de uma “trader”, atuante na importação e exportação de gêneros alimentícios.
Ao se deitar o jovem vê uma velha Bíblia aberta no livro de Salmos 90, com a página amarelada pelo tempo, demonstrando que há muito não era manuseada. Fez uma leitura em voz alta de um trecho sublinhado por alguém, em um dia qualquer de meditação: “Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que venhamos a adquirir corações sábios”.
Aquelas palavras ficaram batendo em sua mente como um martelo na bigorna. O que verdadeiramente queria dizer o autor daquele Salmo? Será que ele não sabia contar? Será que saber contar os dias pode tornar o homem sábio? – Jean acabou pegando no sono... |